
Tá Fazendo Sabão (2022)
O PERIFERICU – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E CULTURA DA QUEBRADA anuncia os 34 filmes selecionados para sua segunda edição, que acontece de 1 a 6 de setembro, no Jardim Ibirapuera, Zona Sul de São Paulo. Escolhidos entre mais de 130 inscritos, os curtas vêm de 16 estados brasileiros e de Cuba e são realizados por pessoas LGBTQIAPN+ das periferias, em sua maioria realizadores pretos e indígenas. Quase metade da seleção tem direção de pessoas trans, travestis e não-bináries.
A seleção conta com diversas realidades, linguagens e modos de produção, reunindo filmes que partem de favelas, quebradas, comunidades urbanas, territórios indígenas e outros espaços historicamente afastados dos principais circuitos de exibição. A curadoria, assinada por Well Amorim, Stheffany Fernanda e Izzi Vitório destacou filmes que fazem gestão das urgências, com as dificuldades e alegrias de territórios atravessados por violência e pela ausência programada do Estado e que ao mesmo tempo evidência territórios que são impulsionados pela coletividade e criatividade e que sem perder de vista a memória, apontam para futuros possíveis para as periferia brasileiras.
Confira a lista de filmes selecionados para a segunda edição do PERIFERICU:
- A posse é um fato — Murilo Munìí, Mar Fagundes (RS, 2025)
- Americana — Agarb Braga (PA, 2025)
- BV NEON — Roraimana (RR, 2025)
- Clube da Velha Guarda — Ava Santos (DF, 2025)
- Cor — Mazé Mixo (RJ, 2025)
- Cypher - HERANÇA — Micah Aguiar, Jonas Sakamoto (MA, 2025)
- Dentro do meu peito mora um cão — Gabriel Afonso (MG, 2026)
- Desfem — Manoella Fernandes, Polyana Santos (SP, 2025)
- Divino: Sua alma, sua lente — Clea Torres, Gilson Costta, Divino Tserewahú (MT, 2025)
- Dona Lia — Jaqueline Cardoso, Letícia Souza (GO, 2026)
- Em ponto riscado cria não é criado — Padê Coletivo (RJ, 2024)
- ERGUIDA — Jhonnã Bao (SP, 2023)
- Escudo — Cauê Santiago, Andrey Haag (SP, 2025)
- Exento (Exemido) — Otto Morales (Cuba, 2024)
- Feirantes — Amanda Gaia, Eudóxia Carvalho, Fagner Morais e Lilith Albuquerque (SP, 2025)
- Filme sem Querer — Lincoln Péricles (SP, 2025)
- Histórias Periféricas — Luan Allen (SE, 2026)
- Mães Antiproibicionistas — Débora Aguiar (PE, 2025)
- Mansos — Juliana Segóvia (MT, 2024)
- Meu e Seu — Gabriel Freire (BA, 2025)
- Monalisa — Lucas Sá (MA, 2026)
- Mydzé - Memorial Isú-Kariri & plataforma Unides contra a colonização: muitos olhos, um só coração (CE, 2025)
- NEGROAMOR — Jota Marcos (PR, 2026)
- Pocas Pra Entender — Stheffany Fernanda, Pedro Miosso (SP, 2025)
- Pupá — Osani (RN, 2024)
- Quando abandonamos a humanidade, o que resta de nós? — Vita Pereira (SP, 2026)
- Quando Eu Crescer — Felipa Anastácia (SP, 2025)
- Quando Eu For Grande? — Mano Cappu (PR, 2024)
- Redestina — Mayara Mascarenhas (MG, 2025)
- Sementeiras — Ana Moraes, Luciene Pereira, Mari Moura, Meire Ramos (SP, 2025)
- Sonhos de Diadema — GIVVA (SP, 2025)
- Tá Fazendo Sabão — Ianca Oliveira (BA, 2022)
- Trabalho de Parto — Mira Lima (SP, 2025)
- VOZES DO COCAL — Josué Castilho França (PA, 2026)

Cypher - HERANÇA (2025)
O festival foi criado a partir da experiência da MALOKA FILMES, produtora formada por Nay Mendl, Rosa Caldeira e Well Amorim. Ao circularem com seus primeiros trabalhos pelo Brasil e exterior, eles perceberam o apagamento sistêmico dessas narrativas em eventos tradicionais. "O PERIFERICU nasceu dessa inquietação e da própria contradição: se esses espaços não nos abrem espaço, a gente cria o nosso, do nosso jeito, reivindicando a potência dos nossos saberes, nossas referências e nossas tecnologias", conta Rosa Caldeira.
Essa perspectiva também orienta o caráter LGBTQIAPN+ do festival.
"Aqui, realizadores TLGB+ podem apresentar suas obras sem precisar explicar o tempo inteiro porque seus corpos existem, mas simplesmente falar sobre cinema, sobre território, sobre amor, violência, desejo, memória, futuro, partindo da certeza de que o cinema feito nas quebradas sempre foi e segue sendo vanguarda", afirma Well Amorim.
A expressiva presença de pessoas trans, travestis e não-bináries entre os selecionados aponta para uma produção ativa que, muitas vezes, é invisibilizada por falta de dados oficiais no setor audiovisual brasileiro. "Quando a gente procura dados sobre a presença de pessoas trans no audiovisual brasileiro, a chave é a ausência. A ANCINE possui poucos estudos sobre gênero e raça no setor, mas ainda não temos dados que consigam dimensionar de fato quantas pessoas trans estão dirigindo e ocupando outras funções no cinema nacional", avalia Nay Mendl. A intenção do evento é não esperar que essas métricas apareçam para reconhecer uma produção que já existe e que exige visibilidade.

Pocas Pra Entender (2025)
Além das mostras competitivas, a programação contará com uma sessão especial da MALOKA FILMES, que leva de volta à quebrada curtas da produtora que circularam por festivais no Brasil e no exterior. A sessão reúne Depois do Fim do Mundo (2020), realizado durante a pandemia; Anba Dlo (Brasil/Cuba/Haiti, 2025), que estreou no Festival de Berlim e conquistou o Jury Prize no 49º Hong Kong International Film Festival; e Fronteriza (Brasil/Paraguai, 2025), premiado no Olhar de Cinema, Mix Brasil, Kinoforum e ASU.FICC, no Paraguai. Dois curtas inéditos gravados no Jardim Ibirapuera também serão apresentados pela primeira vez justamente no território onde foram realizados.
"Para nós, fazer um festival é também construir memória e afirmar que esses territórios não são apenas lugares onde as histórias acontecem: são lugares onde as histórias são inventadas, produzidas e celebradas", conclui Nay.
As mostras terão sessões seguidas de debates entre realizadores e público e integram a programação gratuita do PERIFERICU, que também contará com apresentações musicais, performances, mesas de debate, discotecagens, ballroom, oficinas e outras atividades. Parte dos filmes poderá ser assistida gratuitamente pela plataforma Todesplay durante a semana do evento.
A 2ª edição do PERIFERICU é uma realização da MALOKA FILMES, viabilizada com patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com apoio da Associação Cultural Bloco do Beco, Fundação Julita, IbiraLAB e Todesplay.