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Cinema brasileiro amplia coproduções internacionais em busca de crescimento e maior presença no exterior
Após títulos nacionais ganharem destaque mundo afora, players do mercado brasileiro se articulam por meio da Plataforma Brasil de Audiovisual para ampliar parcerias internacionais
Publicado em 20/08/2026 15:25 • Atualizado 20/08/2026 15:29
CINEMA
Paolla Oliveira durante a Noite Brasil, evento integrado a cerimônia de abertura do Mercado Internacional de Cinema e TV de Xangai. - Foto: Rayane Mainara

O audiovisual brasileiro viu seu número de parcerias internacionais mais do que dobrar nos últimos três anos. É em meio a esse contexto que o país vem apostando em projetos como a Plataforma Brasil de Audiovisual, criada para promover a aproximação entre players do mercado brasileiro, investidores, fundos e empresas internacionais. Segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), os pedidos de Reconhecimento Provisório de Coprodução Internacional saltaram de 56 para 140 entre 2023 e 2025, período em que o Brasil protagonizou conquistas importantes no cenário internacional, como o primeiro Oscar do país, reforçando a necessidade de iniciativas voltadas ao fortalecimento do cinema brasileiro.

Em 2026, um ano depois da vitória de Ainda Estou Aqui no Oscar, o Brasil levou ao Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF), atualmente um dos principais do continente asiático, a maior delegação de profissionais do audiovisual de sua história, com um total de 80 membros. A comitiva viajou à China a convite da Plataforma, em busca de impulsionar e facilitar a internacionalização do cinema brasileiro a médio e longo prazo. Inicialmente organizada para levar 16 empresas ao Mercado Internacional de Cinema e TV de Xangai, o evento de mercado do SIFF, a missão contou com 22 empresas para representar o país, adquirindo um alcance ainda maior e ampliando a possibilidade de novos negócios.

Membro da delegação que foi a Xangai, Nelson Sato, presidente da distribuidora Sato Company, conta que os encontros propiciados pela Plataforma demonstram oportunidades tanto para a Sato quanto para as demais empresas brasileiras. Referência na distribuição de obras asiáticas, animes e animações de empresas como o Studio Ghibli, a Sato Company trabalha com a China desde a década de 1990, como explica Nelson Sato. “O endosso de ser convidado numa missão oficial do Brasil na China contribui na construção de credibilidade que, na Ásia em geral, somente o tempo e a conduta correta constroem”, afirma.

Nelson Sato, da Sato Company, e João Daniel Tikhomiroff, da Mixer Films, no estande da Plataforma Brasil de Audiovisual no evento de mercado do Festival de Xangai.- Foto: Rayane Mainara

De 2023 a 2025 a Ancine registrou um total de 124 obras realizadas em coprodução internacional. O número aponta para um crescimento se comparado com dados gerais da Agência sobre o período de 2015 até 2024, que contou com 242 coproduções ao todo. Iniciativas como a Plataforma só tendem a fortalecer esse quadro, como explica Zé Brandão, sócio-fundador do Copa Studio que também participou da missão no continente asiático:

“Rodando o mundo a gente consegue mais recursos para financiar nossas produções e também é uma divulgação do país como um todo. Nessas viagens a gente aprende novas formas de trabalhar, amplia nossa rede de contatos e consegue levar as histórias brasileiras para públicos que talvez nunca tivessem contato com elas. Iniciativas como a missão empresarial para a China são essenciais para mostrar nossa força como grupo, de maneira profissional, organizada e com objetivos comuns”.

Especializado em animações, o Copa Studio é conhecido pelo sucesso “Irmão do Jorel”, uma coprodução com a norte-americana Cartoon Network que está no ar desde 2014, sendo a série latino-americana mais longeva do canal.

“O audiovisual brasileiro tem vocação para rodar o mundo. Sobretudo as animações, que uma vez dubladas conseguem se conectar ao público sem barreiras culturais e idiomáticas”, explica Brandão.

Apesar disso, parcerias como a de “Irmão do Jorel” são casos mais raros.  Ao longo de uma década, segundo o Panorama Coproduções Internacionais Brasil 2015-2024, grande parte das coproduções ocorre com países latinos, sendo a Argentina o maior parceiro do Brasil. Isso se dá por conta do Acordo Latino-Americano, como explica o estudo da Ancine, que liderou o período como o instrumento legal mais utilizado, representando 32% dos reconhecimentos de coprodução. Exemplos do tipo apontam para caminhos que podem fortalecer ainda mais o audiovisual brasileiro: os acordos internacionais. 

Hoje considerada um dos maiores mercados cinematográficos do mundo, a China disputa frente a frente com países com tradição no audiovisual, como os Estados Unidos, chegando a ultrapassá-los em bilheteria. Acenando para esse novo cenário internacional, o Brasil firmou com a China o Acordo de Coprodução de Filmes em 2017 e, em 2023, ampliou ainda mais a relação com o Acordo de Coprodução Televisiva.

Para Clarissa Appelt, codiretora de “A Herança de Narcisa”, que foi a Xangai junto da protagonista Paolla Oliveira para representar o longa: “Temos que fazer esse showcase do cinema brasileiro no mundo. A China é um parceiro do Brasil em vários aspectos, então precisamos trabalhar também o aspecto cultural. A iniciativa foi uma forma incrível de fortalecer esse vínculo”.

Entre empresas e entidades do mercado audiovisual, participaram representantes de seis estados diferentes. São eles: Vitrine Filmes, Gullane, Sato Company, ORI Imagem e Som, Otto Desenhos Animados, Flamma Produções, Copa Studio, Pinguim Content, Coração da Selva, Olhar Filmes, Estúdio Giz, Movioca, Mixer Films, Quanta Works, Moveo e FICA - Federação da Indústria e Comércio Audiovisual. 

A Plataforma Brasil de Audiovisual é uma realização do Ministério da Cultura (MinC), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério do Turismo (MTur), a Funarte, a Embratur, o Sebrae, o Instituto Guimarães Rosa, o Consulado-Geral do Brasil em Xangai e a Embaixada do Brasil em Pequim. O projeto tem patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Petrobras e da Caixa Econômica Federal, com produção executiva da Quitanda Soluções Criativas e do Instituto Ibero Culturas e cooperação da UNESCO.

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