Lançada durante o Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF), a Plataforma Brasil de Audiovisual levou empresários brasileiros para conhecer a infraestrutura do setor na China, incluindo grandes estúdios e complexos cinematográficos como o Hengdian World Studios, que abriga a maior cidade cenográfica do mundo. A iniciativa também promoveu a ponte entre representantes brasileiros e importantes empresas chinesas por meio de um estande no Mercado Internacional de Cinema e TV de Xangai, o evento de negócios do SIFF, o maior festival de cinema da Ásia.
"Além de nos reunirmos com produtores chineses e de países como Coreia do Sul e Rússia, entendemos melhor como funciona esse mercado, que, além de ser enorme, tem características muito próprias", explica Zé Brandão, fundador do Copa Studio, conhecido pela série de sucesso do Cartoon Network "Irmão do Jorel".
Como um dos representantes da animação brasileira na delegação, ele ressalta a visita ao Shanghai Animation Film Studio, o mais antigo e tradicional estúdio de animação chinês. Fundada em 1957, a empresa foi o berço dos filmes animados no país, sendo responsável por produções como "O Rei Macaco: O Repto ao Céu", dos irmãos Wan, considerados pioneiros da técnica de animação no continente asiático.
Para Leo Edde, diretor-presidente da RioFilme que também integrou a comitiva brasileira, tais estúdios e polos audiovisuais podem servir de exemplo para o plano de desenvolvimento do cinema nacional a médio e longo prazo. Ele cita especialmente a visita ao complexo cinematográfico de Hengdian, que conta com quase 496 mil m2 de área construída e um total de 330 hectares, a maior cidade cenográfica do mundo atualmente.
Fundado em 1996, Hengdian tem uma estrutura equipada para recriar desde ambientes futuristas até cenários de época, já tendo recebido mais de 300 cineastas e 5 mil produções para o cinema e a televisão. É, portanto, uma referência na indústria.
"A visita à cidade de Hengdian mostra como o audiovisual pode impulsionar o desenvolvimento ao lado da tecnologia, do turismo e de outros setores da economia", explica Edde.

Visitantes do evento de mercado do Festival de Xangai conferem panfleto de "Irmão do Jorel" no estande brasileiro. - Foto: Rayane Mainara
Aliada a isso, a Plataforma Brasil de Audiovisual buscou conectar membros da delegação brasileira e players estratégicos do mercado internacional, como a UHD World Association (UWA), organização sem fins lucrativos que busca impulsionar a tecnologia de vídeo e áudio internacionalmente, e o Shanghai Media Group, um dos maiores conglomerados de mídia na China, que recentemente fechou parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
"A aproximação com esses gigantes do setor abre caminhos concretos e conexões potentes para o desenvolvimento do Rio como um hub da indústria criativa e de inovação, além da troca de experiências e aprendizados para a implementação do Distrito Criativo", afirma o diretor da RioFilme.
A viagem apresentou novos caminhos, mas também espelhou planos que já estão em desenvolvimento no Brasil. Um exemplo disso é o Distrito Criativo da Barra Olímpica, no Rio de Janeiro, um projeto que transformará o Parque Olímpico em um polo de entretenimento e economia criativa, promovendo de forma contínua o legado deixado pelos Jogos Olímpicos de 2016 no espaço.
Pensando nisso, Edde avalia que a missão na China e, em especial, no Festival de Xangai pode abrir portas, fortalecer parcerias e, mais importante, mostrar que as cidades brasileiras podem ser "mais do que um cenário", estando preparadas para "produzir, inovar e fazer negócios com o mundo".