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Atriz Marina Merlino vive momento de destaque no audiovisual brasileiro
Atriz protagoniza a série "Emergência Radioativa", da Netflix, e consolida trajetória entre cinema autoral e produções de streaming
Publicado em 20/03/2026 17:21
CINEMA
Na minissérie de cinco episódios, Marina interpreta Catarina, personagem que integra o núcleo das vítimas da tragédia. - Foto: Flora Negri

A atriz paulistana Marina Merlino vive um momento de expansão na carreira no audiovisual brasileiro. Com uma trajetória construída entre teatro, cinema e televisão, ganha projeção junto ao grande público ao protagonizar a série "Emergência Radioativa", da Netflix, produção inspirada no acidente com césio-137 em Goiânia, em 1987, considerado o maior desastre radioativo do mundo fora de uma usina nuclear.

Na minissérie de cinco episódios, Marina interpreta Catarina, personagem que integra o núcleo das vítimas da tragédia. Mãe de duas crianças, ela faz parte da família que entra em contato direto com o material radioativo após o acidente. A série acompanha diferentes perspectivas sobre o episódio, entre médicos, cientistas, autoridades e famílias diretamente afetadas pela contaminação.

"É uma personagem muito densa, uma mulher que passa por uma experiência absolutamente devastadora, mas que também carrega uma força enorme. Ela tenta seguir em frente mesmo diante de perdas irreparáveis", afirma.

Criada em uma família de artistas, Marina cresceu em um ambiente onde diferentes linguagens criativas faziam parte da vida cotidiana. Filha do diretor e dramaturgo José Rubens Siqueira e da bailarina e coreógrafa Lucia Merlino, teve desde cedo contato com processos de criação ligados ao teatro, à música, à escrita e às artes visuais.

Marina também estudou atuação para cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, em Portugal. - Foto: Divulgação

Ainda na infância, a família se mudou para a zona rural de Atibaia, no interior de São Paulo, experiência que marcou profundamente sua formação. Crescer em um sítio, em contato direto com a terra e com o cultivo de alimentos, influenciou sua visão sobre arte e cultura, entendidas não apenas como expressão artística, mas como parte da vida cotidiana e das relações com território, memória e comunidade.

"Acho que aprendi muito sobre poesia e arte nessa relação com a vida prática, plantando árvores, entendendo o ciclo das coisas, convivendo com o mato, com os bichos. Isso acabou formando muito o meu olhar como artista", diz.

Formada em Direção Teatral pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Marina também estudou atuação para cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, em Portugal. Ao longo da carreira, aprofundou sua formação em diferentes abordagens de atuação, incluindo estudos sobre Stanislavski e Meierhold, além de cursos sobre Shakespeare ministrados no Brasil pelo ator e diretor britânico Brian Stirner, da Royal Academy of Dramatic Art (RADA).

No cinema, protagonizou o longa argentino-brasileiro "Las Preñadas" (2023), que circulou por diversos festivais internacionais e lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival Internacional de Cinema de Calzada de Calatrava, na Espanha. Também integrou o elenco de produções como "Regra 34", de Julia Murat, vencedor do Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, da série "Raul Seixas: Eu Sou", lançada pelo Globoplay, e da comédia "Auto Posto Amigos do Nelson", exibida pelo Comedy Central e Paramount+.

Fluente em inglês e espanhol, Marina também vem ampliando sua atuação internacional e atualmente é representada em Portugal pela agência Hit Management. Em 2026, participa de uma formação na Bristol Old Vic Theatre School, na Inglaterra, uma das escolas de teatro mais tradicionais do Reino Unido.

Além da atuação, desenvolve projetos autorais ligados à dramaturgia, direção e formação artística. Entre eles está o projeto cultural Semente Baepí, iniciativa que promove formação para jovens nas áreas de artes, agrofloresta e práticas poéticas.

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