CHEIRO DE DIESEL, documentário dirigido por Gizele Martins e Natasha Neri, ganha trailer e pôster oficiais
Vencedor de dois prêmios no Festival do Rio, 'Cheiro de Diesel' denuncia violações de direitos humanos em comunidades ocupadas pelas Forças Armadas a partir de decretos presidenciais de Garantia da Lei e Ordem (GLOs)
As ocupações ocorreram entre 2014 e 2015 e voltaram a acontecer entre 2017 e 2018. - Foto: Divulgação
Depois de estrear no Festival do Rio e conquistar o Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Documentário pelo Voto Popular, CHEIRO DE DIESEL, dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, ganha pôster e trailer. Com distribuição da Descoloniza Filmes, o longa-metragem estreia nos cinemas brasileiros no próximo dia 2 de abril.
O documentário ecoa o grito da favela contra a violência do Estado no Rio de Janeiro, registrando os traumas deixados pela ocupação de favelas e morros do Rio pelas Forças Armadas a partir de decretos presidenciais de Garantia da Lei e Ordem, as GLOs. No filme, moradores das favelas da Maré e da Penha, na zona norte da capital, e do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, relatam a rotina de medo e tensão durante a presença de soldados armados com fuzis e tanques de guerra nas ruas.
As ocupações ocorreram entre 2014 e 2015 — período dos preparativos para a Copa do Mundo — e voltaram a acontecer entre 2017 e 2018. Ao longo do filme, moradores denunciam violações de direitos humanos, ameaças constantes e, em um depoimento marcante, o caso de tortura cometido contra moradores da Penha numa "sala vermelha", em um quartel do Exército.
Assista ao trailer:
O longa é dirigido por Natasha Neri, documentarista premiada por Auto de Resistência, vencedor do É Tudo Verdade em 2018, e por Gizele Martins, jornalista comunitária da Favela da Maré, que conduz os depoimentos e faz sua estreia na direção. Gizele acompanhou o processo de ocupação de favelas pelas Forças Armadas de perto, como moradora, jornalista e integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado.
"O cotidiano foi de invasão às escolas, aos postos de saúde, às casas, revistas constantes, assassinatos e a censura dos comunicadores comunitários. Sofremos muitas violações. A Maré foi laboratório para o que ocorreu no Rio de Janeiro em diversas favelas durante o governo de Michel Temer, em 2017 e 2018", afirma.
Natasha Neri reforçou que "a principal força do filme é mostrar os impactos da violência estatal sobre pessoas que tiveram suas vidas transformadas para sempre — e que seguem sendo vitimizadas pelo Estado, pois existe um arcabouço jurídico que permite que isso aconteça".
CHEIRO DE DIESEL é uma produção da Amana Cine e Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil, apoio da RioFilme, distribuição da Descoloniza Filmes com a parceria da RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. O longa, que acompanha ainda a luta dos moradores por justiça e reparação coletiva, chega aos cinemas no dia 2 de abril.
SINOPSE
CHEIRO DE DIESEL retrata os traumas coletivos da militarização das favelas do Rio de Janeiro ocupadas pelas Forças Armadas durante os megaeventos esportivos. A partir de vozes de dentro das favelas, o filme documenta a luta por justiça e reparação de vítimas de violações de direitos humanos.
AS DIRETORAS
Natasha Neri é jornalista, cineasta, mestre em Antropologia e em Direitos Humanos e pesquisadora em Justiça Criminal. Dirigiu o longa Auto de Resistência, ganhador do É Tudo Verdade (2018), qualificado para o Oscar de Melhor Documentário e indicado ao Prêmio de Direitos Humanos do IDFA, além de mais de 20 curtas de impacto.
Gizele Martins, nascida e criada na Favela da Maré, é jornalista, Doutora em Comunicação, comunicadora comunitária e defensora de direitos humanos. Vencedora do Prêmio Vladimir Herzog (2024), é autora do livro "Militarização e Censura – A luta por liberdade de expressão na Favela da Maré". CHEIRO DE DIESEL é seu primeiro filme.
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