Completando 20 anos desde sua primeira participação no Festival do Rio, Paulo Henrique Fontenelle exibe seu novo documentário "Nação Ubuntu" na Première Brasil - O Estado Das Coisas. O filme, realizado ao longo de seis anos no campo de refugiados de Dzaleka, no Malawi, traz às telas memórias, histórias e imagens reais de pessoas que tiveram a vida atravessada por conflitos em vários países africanos, principalmente na República Democrática do Congo.
A relação de Fontenelle com o festival começou em 2006, com seu primeiro trabalho, "Mauro Shampoo – Jogador, Cabeleireiro e Homem", vencedor de três prêmios, incluindo o de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Popular. Nos anos seguintes, seus longas "Loki – Arnaldo Baptista" e "Dossiê Jango" também foram reconhecidos pelo voto popular.
Ao longo dessas duas décadas, Fontenelle construiu uma filmografia que permeia temas como música, política e sociedade, sempre encontrando um objetivo comum: resgate e preservação da memória. Entre seus trabalhos estão filmes sobre personagens fundamentais da história brasileira, como Arnaldo Baptista e João Goulart (Jango), além do sucesso de bilheteria "Cássia Eller", que permaneceu quatro meses em cartaz. O diretor também assina "O Caso Escola Base", vencedor do Grande Otelo de Melhor Série Documental em 2024.
Em "Nação Ubuntu", esse olhar ganha uma dimensão internacional, apresentando um retrato humano sobre deslocamento e sobrevivência e, ao mesmo tempo, denunciando os interesses econômicos e geopolíticos ligados ao conflito no Congo. O filme acompanha a história de quatro refugiados que se uniram para a construção de uma escola e para a elaboração de uma série de trabalhos sociais, provocando profundas transformações na vida dos moradores do Campo de Dzaleka.
A comemoração de 20 anos vem acompanhada de uma agenda que só cresce: o diretor finaliza uma série sobre Roberto Menescal para o Canal Brasil/Globoplay+, desenvolve outro projeto, ainda mantido em segredo, sobre um grande nome da música brasileira, e atua como consultor de um filme biográfico sobre Cássia Eller. Seu documentário sobre a cantora também será relançado nos cinemas em 2027.
Fontenelle soma ainda um histórico como roteirista e montador ao lado de outros cineastas, com trabalhos como "Belchior - Apenas um Coração Selvagem", "Barretão", "Brizola" e a série "Chitãozinho & Xororó - Uma História de Sucesso". Nesta edição do Festival do Rio, ele também assina a montagem do documentário "Aldir Blanc – Resposta ao Tempo".
"Me orgulho de ter construído uma filmografia com trabalhos que se tornaram referência, mas principalmente de ter contado histórias que preservam memórias e conseguem emocionar o público. É muito bom olhar para o caminho percorrido nesses 20 anos e perceber que ainda tenho tantas histórias que quero contar", descreve o autor.
"Nação Ubuntu" é produzido pela Migdal Filmes e chega às salas comerciais em 12 de novembro, pela Downtown Filmes.

SOBRE
Carioca da Urca, Paulo Henrique Fontenelle é diretor, roteirista e montador. Formou-se em Rádio e TV pela Faculdade da Cidade em 1993, em Jornalismo pela mesma instituição em 1996 e em Cinema pela Estácio de Sá em 1999.
Estreou na direção em 2006 com o curta "Mauro Shampoo – Jogador, Cabeleireiro e Homem", vencedor de mais de 20 prêmios ao redor do mundo. Em 2008, estreou "Loki – Arnaldo Baptista", vencedor do Festival do Rio e transformado em filme cult. Seguiram-se "Dossiê Jango" (2012), também vencedor do Festival do Rio, e "Cássia Eller" (2014), exibido por Hors Concours no festival e grande sucesso de bilheteria, com quatro meses em cartaz após o lançamento comercial em 2015. Em 2023, após 16 anos de desenvolvimento, estreou a série "O Caso Escola Base", premiada com o Grande Otelo de Melhor Série Documental em 2024.
Paralelamente à direção, atua há anos como roteirista e montador em projetos de outros diretores, com destaque para "Belchior – Apenas um Coração Selvagem", "Semente da Música Brasileira", "Barretão", "Brizola" e a série "Chitãozinho & Xororó – Uma História de Sucesso".
Em 2026, Fontenelle completa 20 anos de carreira com a estreia de "Nação Ubuntu" no Festival do Rio e a chegada do filme aos cinemas em novembro, além de projetos em fase de finalização sobre Roberto Menescal e o relançamento de "Cássia Eller", previsto para o ano que vem.