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Guilherme Coelho coloca a pesquisa científica no centro de um thriller político em OCEÂNICO
Protagonizado por Ana Carbatti, filme acompanha cientista que vê sua descoberta se tornar alvo de uma perigosa disputa de interesses, capaz de colocar em risco sua vida e a de seu filho
Publicado em 27/09/2026 09:20 • Atualizado 27/09/2026 09:20
CINEMA
Produção mergulha nas ambiguidades das relações familiares, particularmente nas dependência química. - Foto: Divulgação

Depois de abordar o alcoolismo no documentário "Luz Acesa", o diretor Guilherme Coelho retoma o tema em Oceânico, longa de ficção selecionado para o Festival do Rio que mescla drama familiar e thriller político. Protagonizada por Ana Carbatti ("A Herança"), a produção mergulha nas ambiguidades das relações familiares, particularmente nas marcadas pela dependência química, ao mesmo tempo em que contrapõe ciência e dogma para analisar a radicalização da sociedade brasileira. No festival carioca, Oceânico fará sua estreia mundial no dia 2 de outubro, durante a Première Brasil.

Um projeto da Matizar Filmes, em coprodução com a Bubbles Project e a Cinema Inflamável e produção associada da Tigresa e da Manny Films (França), Oceânico acompanha os dilemas da brilhante neurocientista Adyr (Carbatti). Referência por seu trabalho de pesquisa em uma universidade pública, ela descobre na medicina psicodélica a chave para um tratamento promissor para a doença. Porém, diante do potencial de ganhos financeiros, Adyr se torna alvo de um grupo interessado em se apropriar de seu trabalho. Sem saber em quem confiar, a protagonista precisará lutar para proteger sua pesquisa, sua vida e a de seu filho.

Além da convicção de que o alcoolismo é um grave desafio à saúde pública, Coelho viu no projeto a oportunidade de "dialogar diretamente com o clima político opressivo e desanimador do Brasil atual".

"Queria falar sobre a ameaça à democracia representada pelo processo de 'milicianização' do Rio de Janeiro e pelo avanço dessa onda autoritária", conta o diretor. "Resistência e o pensamento crítico promovidos pelo laboratório da nossa protagonista são as ferramentas essenciais para lutarmos contra essa distopia em que vivemos", explica.

A narrativa foi embasada em estudos reais com psicodélicos e, principalmente, os desenvolvidos em torno da Ayahuasca. Esse interesse tem crescido ao longo dos anos, inclusive no Brasil, que é atualmente o terceiro país que mais trabalha em pesquisas sobre o assunto devido à influência da substância amazônica. A produção contou com consultoria e atuação do professor e neurocientista Sidarta Ribeiro, referência no estudo de psicoativos para uso medicinal. 

"Oceânico me interessa pela forma como aproxima maternidade e política a partir de uma relação íntima entre mãe e filho. O filme olha para essa relação sem idealizações, atravessada por afetos, escolhas, conflitos e também pelas contradições do mundo em que vivemos. Como produtora, me interessa especialmente participar de uma obra que conecta questões tão pessoais a temas coletivos e que, justamente por isso, tem potencial para dialogar com um público bastante amplo", afirma Mariana Ferraz, produtora do longa e diretora executiva da Matizar Filmes. 

Foi justamente essa capacidade de estimular o diálogo que despertou também o interesse da Filmes do Estação, que fica a cargo da distribuição do longa no Brasil.

"Oceânico parte de questões muito atuais, como fronteiras da ciência, saúde pública e pressões políticas e econômicas para construir uma história profundamente humana. É um filme que provoca reflexão e envolve o espectador do começo ao fim. Estamos muito felizes em iniciar essa trajetória no Festival do Rio e confiantes no encontro que o filme terá com o público", afirma Adriana Rattes, diretora executiva da distribuidora.

A produtora Tatiana Leite, da Bubbles Project, compartilha visão semelhante e celebra a estreia em um dos festivais de cinema mais tradicionais do país.

"Oceânico aborda temas urgentes para o Brasil de hoje, como a saúde pública e o valor da ciência como resistência num país cada vez mais ameaçado pelo pensamento autoritário. Adyr é uma protagonista arrebatadora, vivida por Ana Carbatti numa atuação à altura da personagem, e estamos ansiosos para dividir o filme com o público no Festival do Rio".

"O filme foi desenvolvido com recursos do edital de Núcleos Criativos do FSA, o que mostra como esse fomento é fundamental para a produção brasileira. Estamos muito felizes com essa nova parceria com a Matizar Filmes, produtora amiga desde os primórdios da Bubbles", conclui. 

Idealizado inicialmente por Guilherme Coelho em conjunto com o escritor Michel Laub, o roteiro é assinado por Marcelo Gomes, Mariana Jaspe, Michel Laub, Vinícius Spanghero, Josefina Trotta e pelo diretor Guilherme Coelho. O longa é produzido por Mariana Ferraz, Tatiana Leite, Karim Aïnouz e Guilherme Coelho.

Além de Carbatti, Oceânico tem participação especial de Sidarta Ribeiro, que interpreta o marido falecido da protagonista, e conta no elenco com Caio Cabral ("Garota do Momento"), Tay O'hanna ("3%"), Nill Marcondes ("Carandiru"), Pedro Guimarães ("Terra Forte"), Julio Adrião ("Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro"), Bárbara Vila Nova e Manuela Llerena ("Mate-me Por Favor").

SERVIÇO

Première de Oceânico no Festival do Rio

Data: 02/10 (sexta-feira)

Horário: às 21h45

Local: Estação Claro Gávea - salas 4 e 5

Endereço: R. Marquês de São Vicente, 52 - Gávea, Rio de Janeiro - RJ

Sessão-especial com debate

Data: 03/10 (sábado) 

Horário: às 16h30

Local: Cine Odeon - Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro

Endereço: Praça Floriano, 7 - Centro, Rio de Janeiro - RJ

Sessão de reprise

Data: 04/10 (domingo) 

Horário: às 21h15

Local: Cinesystem Belas Artes Botafogo

Endereço: Endereço: Praia de Botafogo, 316 - Botafogo, Rio de Janeiro - RJ

SINOPSE

Adyr é uma brilhante cientista que, após perder o marido para o alcoolismo, descobre na medicina psicodélica a chave para a cura dessa doença. Quando ela se torna alvo de um grupo interessado em se apropriar de seu trabalho, ela se vê ameaçada e sem saber em quem confiar. Agora, precisará lutar para proteger sua pesquisa, sua vida e a de seu filho, Tom.

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