ANA, EN PASSANT, primeiro longa-metragem de Fernanda Salgado, teve sua première neste sábado, dia 12, na Competição Nacional do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A sessão marcou a estreia mundial do filme mineiro, que combina animação 2D, rotoscopia, colagem e stop-motion. A coprodução entre Brasil, Portugal e França constrói uma narrativa sobre memória, ancestralidade, identidade e pertencimento.
Na apresentação da sessão, Fernanda Salgado destacou a dimensão afetiva da obra, que acompanha uma jovem em uma viagem em busca das próprias raízes e, a partir desse percurso, estabelece conexões entre diferentes gerações de mulheres negras.
"ANA, EN PASSANT, em seu coração, no seu íntimo, é uma história sobre conexões, memórias e histórias compartilhadas entre diversas gerações de mulheres negras e as viagens, as transformações que às vezes são necessárias para serem reencontradas. É também sobre encontrar seu próprio lugar no mundo, descobrir raízes e mapas, sobre cidades e caminhos de memórias. Sobre a inventividade e a rebelião inerentemente presentes na arte e na animação. Sobre a inventividade e a rebelião de contar histórias sobre vidas negras, futuros e imaginários vindos de um lugar de alegria, poesia e protagonismo."

A crítica do portal Meio Amargo destaca essa conexão entre mulheres negras de diferentes territórios e gerações:
"A diretora estabelece um laço intercontinental de afeto entre mulheres negras. Mesmo à distância, e antes do primeiro contato, já estavam ligadas. Assim, passam a apoiar uma à outra. A narrativa se abre e se encerra por meio da metáfora dos mapas, estabelecendo percursos que nos unem ao invés de nos afastarem", aponta Bruno Carmelo.
Já de acordo com Luiz Zanin, do Estadão, "o projeto ganha quando embalado nesse processo de animação em diálogo com a vídeo arte. Com tanto artifício, as personagens respiram humanidade, como a dupla Ana-Alice (ou Analice) e o velho carteiro-filósofo que intervém na história, interpretado por esse incrível Carlos Francisco, ator que imanta cada imagem de cada filme de que participa".
Em ANA, EN PASSANT, a história começa em Paris, onde Ana vive com sua avó brasileira. Quando a avó morre, deixa para a neta uma caixa com uma carta, objetos, duas chaves e um endereço em Belo Horizonte. Fascinada pela possibilidade de descobrir um capítulo desconhecido de sua própria história, ela viaja para o Brasil em busca de respostas sobre suas origens.
A jornada de Ana transforma a cidade mineira em território de descoberta e pertencimento, enquanto as diferentes técnicas de animação ajudam a traduzir as camadas da memória e as transformações provocadas pelo deslocamento.
O elenco é formado por Jéssica Pierina, que interpreta a protagonista Ana, além de Zezé Motta e Carlos Francisco. Uma versão anterior do projeto, com o qual compartilha alguns elementos, teve seu roteiro selecionado para o Script Station, programa de desenvolvimento de roteiros do Berlinale Talents, em 2012.
A partir da trajetória de uma jovem em busca de suas raízes, ANA, EN PASSANT aproxima diferentes tempos, territórios e gerações para falar sobre ancestralidade, memória e os vínculos que permanecem mesmo diante das distâncias.

SINOPSE:
Depois da morte de sua avó, Ana, uma jovem mulher negra franco-brasileira, se vê à deriva na cidade em que nasceu e sempre viveu, isolando-se cada vez mais em seu próprio luto. Seguindo pistas deixadas pela avó, viaja a Belo Horizonte, no Brasil, e lá encontra Alice, morando no antigo apartamento de sua avó. No decifrar da cartografia afetiva da cidade e de memórias e conexões ancestrais que as atravessam e são por elas atravessadas, Ana e Alice desvendarão o que significa se tornar quem são.