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'PEQUENAS TRAGÉDIAS', de Daniel Nolasco, faz de Catalão o centro de um retrato sobre experiências queer
Selecionado para o Festival de Brasília, novo longa do diretor de 'Apenas Coisas Boas' e 'Vento Seco' retorna à cidade do interior de Goiás que atravessa sua filmografia
Publicado em 19/09/2026 10:22
CINEMA
PEQUENAS TRAGÉDIAS reúne diferentes experiências queer ligadas à cidade de Catalão. Foto: Felipe Quintelas

Em 2011, Daniel Nolasco deixou Catalão, no interior de Goiás, para estudar cinema no Rio de Janeiro e foi o primeiro de um grupo de amigos queers a sair da cidade. Dez anos depois, nenhum deles compartilhava mais aquele mesmo cotidiano: alguns haviam se mudado para outros centros urbanos e outros permaneceram ligados à cidade de diferentes maneiras . Esse é um dos pontos de partida de PEQUENAS TRAGÉDIAS, novo longa do cineasta, selecionado para a Mostra Competitiva Nacional do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Misturando elementos documentais e ficcionais, o filme volta o olhar para Catalão. PEQUENAS TRAGÉDIAS reúne diferentes experiências queer ligadas à cidade. Em determinado momento, o próprio Nolasco explicita a posição a partir da qual constrói o longa: "Esse filme não é sobre mim. É sobre uma cidade. Em 2019, fiquei por quatro meses em Catalão a trabalho, foi quando descobri que as pessoas que formavam o meu antigo núcleo de amigos LGBTs não moravam mais lá. Comecei a me questionar porque todos tinham ido embora, a vida na cidade, pelo menos do ponto de vista material, era confortável. Me questionava tentando encontrar um motivo concreto. Um fato, um acontecimento, uma discussão, um episódio, uma notícia, algo que pudesse dizer - foi por isso. Mas não encontrei e com o tempo entendi que a fuga aconteceu por causa de algo mais subjetivo e forte - era um sentimento que é difícil explicar em palavras ou imagens, mas que qualquer pessoa dissidente que mora ali consegue entender".

O diretor é formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Seu primeiro longa, o documentário Paulistas, estreou em 2017 no Dok Leipzig. Depois vieram Mr. Leather e seu primeiro longa de ficção, Vento Seco, apresentado na Mostra Panorama do Festival de Berlim em 2020. Mais recentemente, dirigiu Apenas Coisas Boas, também ambientado na região de Catalão.

PEQUENAS TRAGÉDIAS participou, ainda em fase de finalização, do Conexão Brasil CineMundi 2026. - Foto: Felipe Quintelas

Em PEQUENAS TRAGÉDIAS, a cidade deixa de funcionar apenas como cenário para ocupar o centro da narrativa. O filme observa aqueles que partiram, mas também aqueles que ficaram, e encontra em suas histórias diferentes formas de viver, desejar e construir vínculos em um lugar que, como diz a própria sinopse, muitos afirmam ser "bom demais para viver".

A produção é assinada por Daniel Nolasco e Cecília Brito, sócios na Rensga Filmes e parceiros em diferentes trabalhos. Produtora radicada em Goiânia, Cecília atua há mais de dez anos no audiovisual e reúne em sua trajetória curtas, longas e séries. Ao lado de Nolasco, trabalhou também em títulos como Mr. Leather e Apenas Coisas Boas. A distribuição é da Embaúba Filmes.

Antes de chegar ao Festival de Brasília, PEQUENAS TRAGÉDIAS participou, ainda em fase de finalização, do Conexão Brasil CineMundi 2026, realizado durante a Mostra de Cinema de Tiradentes, onde recebeu o Prêmio Málaga WIP.  Em março de 2026, o longa venceu também o principal Prêmio Málaga WIP Iberoamérica no evento espanhol.

O longa integra a Mostra Competitiva Nacional do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A 59ª edição do evento acontece de 11 a 19 de setembro, reunindo longas e curtas brasileiros, além de debates, atividades de formação e programação de mercado.

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