Considerado por críticos como François Truffaut "o filme mais decisivo de sua geração", Um Condenado à Morte Escapou (1956), de Robert Bresson, estreia na FILMICCA nesta sexta-feira (22). A obra acompanha um combatente da Resistência Francesa preso pela Gestapo em Lyon durante a Segunda Guerra Mundial e sua meticulosa, obsessiva preparação para a fuga.
Em 1943, o tenente Fontaine (François Leterrier) é encarcerado na prisão de Montluc após ser capturado pela Gestapo. Sem nada a perder, ele fabrica ferramentas improvisadas e planeja cada detalhe da fuga. Quando está prestes a agir, um jovem desertor (Charles Le Clainche) é colocado em sua cela, e Fontaine se vê diante de um dilema tão urgente quanto a própria fuga: levar o desconhecido consigo ou eliminá-lo.
A história real que inspirou Robert Bresson
Na produção, a história que Bresson conta não é ficção. Baseado nas memórias reais do oficial André Devigny, traído em 1943 por um infiltrado que delatou sua célula da Resistência às autoridades alemãs, o filme reconstrói com precisão documental sua prisão no Fort Montluc e a fuga executada no mesmo dia em que deveria ser executado.
Após a guerra, o presidente francês Charles de Gaulle condecorou Devigny com a Cruz da Libertação, uma das mais altas honrarias da França. Anos depois, ele colocou a experiência no papel: as memórias foram publicadas pela Gallimard em 1956, mesmo ano em que Bresson as levou às telas. O diretor não era um admirador distante do material: ele próprio havia sido mantido pelos alemães como prisioneiro de guerra, o que faz de Um Condenado à Morte Escapou algo mais do que uma adaptação. É um ajuste de contas pessoal com a história.
Vencedor do Prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes de 1957, o filme é uma das obras mais influentes do cinema moderno. Bresson filmou nas mesmas instalações do Fort Montluc, com o próprio Devigny como consultor, e substituiu a trilha sonora convencional pelo som da vida prisional, interrompido pontualmente pelo Kyrie da Missa em Dó Menor de Mozart.

Robert Bresson: cineastas franceses mais conceituados de todos os tempos
Nascido em 1901, em Bromont-Lamothe, França, Robert Bresson é um dos nomes mais consagrados da história do cinema. Ao longo de uma carreira que se estendeu por quatro décadas, desenvolveu uma linguagem radicalmente própria: atores não profissionais que ele chamava de "modelos", câmera contida, montagem precisa e uma espiritualidade que emerge da forma, não do tema. Filmes como Diário de um Pároco de Aldeia (1951), Pickpocket (1959), Au Hasard Balthazar (1966) e O Diabo Provavelmente (1977) que estreia na próxima semana, 29 de maio, na plataforma.
E mais!
Além de Um Condenado à Morte Escapou, a FILMICCA recebe nesta sexta-feira (22) mais quatro filmes. No campo da ficção contemporânea, o sul-coreano Voo Noturno (2014), de Leesong Hee-il, acompanha três amigos cujos laços se rompem no ensino médio e a descoberta de sentimentos mais profundos entre eles. Já Jonas Mekas marca presença com três novas obras que integram o ciclo que a FILMICCA dedica ao cineasta em maio: Canções de Viagem (1981), Canção de Avignon (1998) e Williamsburg, Brooklyn (2003).
Você já conhece a loja da FILMICCA?
Veja mais em: loja.filmicca.com.br