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Elinas lança "Mainha Mana", primeiro single do aguardado álbum "Porque o agora me chama"
Elinas inaugura seu novo ciclo autoral. "Mainha Mana" é uma homenagem profunda à sua avó, transbordando o afeto geracional e a sabedoria das mais velhas, personificando nelas o arquétipo do sagrado
Publicado em 20/04/2026 14:59 • Atualizado 20/04/2026 14:59
MÚSICA
Após o impacto do videoclipe de "Luiz Gama - Pra que a gente Reaja", Elinas inaugura seu novo ciclo autoral. - Foto: Divulgação

 músico, poeta e pesquisador Elinas (Elinas Quinteto / Trinca de Paz) inicia o lançamento de seu novo projeto fonográfico com o single "Mainha Mana". A faixa, que chega às plataformas digitais no dia 08/05, distribuída pela Tratore, é a porta de entrada para o álbum "Porque o agora me chama", obra maturada ao longo de cinco anos de produção e pesquisa.

Após o impacto do videoclipe de "Luiz Gama - Pra que a gente Reaja", Elinas inaugura seu novo ciclo autoral. "Mainha Mana" é uma homenagem profunda à sua avó, transbordando o afeto geracional e a sabedoria das mais velhas, personificando nelas o arquétipo do sagrado, do colo e da cura.

A faixa é um acalanto rítmico que funde a sofisticação da musicalidade ancestral afro-brasileira à MPB contemporânea, estabelecendo uma ponte estética entre Salvador e o Sudeste. O arranjo centra-se no diálogo sensível entre violão e voz, ancorado por teclados atmosféricos e uma "cozinha" de contrabaixo e bateria que remete ao pulsar das cidades e dos terreiros seculares. Curiosamente, a canção encontra ressonância imediata no universo infantil: a repetição fonética de termos como "Mainha", "Mana", "Nanã" e "Mama", que evoca as primeiras sonoridades da fala humana, torna a faixa um acalanto lúdico e intuitivo que atravessa gerações. 

 A canção, evoca em sua letra a força das grandes mães ancestrais na tradição Iorubá e Congo Angola: Nanã, Zumbarandá e Kalunga. Cria uma metáfora sonoro-poética, sendo um convite a "bater cabeça" — ato de reverência e conexão com o sagrado — em acolhimento às divindades e ao amor materno, ante à concretude e brutalidade da vida, transmutada na vida urbana das cidades.

A letra atua como um dengo sonoro, acolhendo quem chega "ferido de tanto apanhar/da vida" e curando as feridas na lama primordial da Bahia — signo de fertilidade, ancestralidade e acolhimento. "Essa música também é um exercício de escuta do tempo e da ancestralidade. É o reconhecimento do cansaço humano e a busca pelo colo que nos refaz", afirma Elinas, que atualmente é mestrando em Performance Negra pela ECA-USP e traz para sua obra a densidade de quem vive e estuda as musicalidades afrodiaspóricas em toda sua história e técnica.

O lançamento marca uma nova fase na carreira do artista que, após 15 anos de atuação como compositor para cinema, dança e teatro, agora apresenta sua faceta mais introspectiva. "Mainha Mana" é o primeiro de uma série de singles que serão lançados em formato de "cascata", revelando gradualmente as faixas que compõem o universo de seu novo trabalho, "Porque o agora me chama".


Saiba mais sobre Elinas:

Elinas é músico, compositor, produtor e diretor musical, diretor artístico, poeta e arte-educador. Formado culturalmente nas matrizes familiares do Candomblé Congo Angola, tem sua formação técnica em Música pela EMUS-UFBA e Acadêmica no curso de Licenciatura em Teatro pela UFBA. 

É também Pós Graduado em Arte Educação e Estéticas Artísticas Contemporâneas pela Escola de Belas Artes / UFBA e atualmente é Mestrando no PPGAC da Escola de Comunicações e Artes / USP com ênfase em performance negra e musicalidades afro-diaspóricas. Possui ampla experiência como produtor de áudio e compositor de trilhas para cinema, teatro, dança, assim como diretor musical de espetáculos e shows de música nas cidades de São Paulo e Salvador. 

Como percussionista e instrumentista de cordas e teclas, possui uma rica experiência acompanhando artistas de projeção nacional e internacional. Entre eles, destacam-se, Pedro de Rosa Morais, Irma Ferreira, Riane Mascarenhas, Sérgio Pererê, Nara Gil, Saloma Salomão, Germaine Ingram (EUA) e Ramiro Naka (Guiné Bissau). 

Além de sua carreira como compositor e cantor, é também vocalista das bandas Trinca de Paz (BA) e do seu quinteto de jazz no cenário paulistano - o Elinas Quinteto - composto por Marcos Alma no piano, Rogério Guarapiran no bandolim, Luciano da Silva na percussão e Kevin Nunes no contrabaixo.

Mainha        

Mainha mana, mainha mana

Rainha Kalunga mama

Kalunga mama

 

De dia

chego de manha 

cheio de manhã

 

Bahia,          

a Bahia é lama,      

que Mainha emana.

                                                               Elinas

 

Serviço:

Lançamento de “Mainha Mana”, de Elinas, dia 08/05/2026

Ficha Técnica:  

Violão 7 e voz: Elinas 

Contrabaixo: Daniel Argolo

Bateria: Paulo Tiano

Teclados: Maurício Lourenço

Gravação de Áudio: Estúdio Mangus

Edição e finalização: Estúdio Mangus / Estúdio Orin

Direção Musical/Arranjos: Elinas

Siga Elinas no Instagram: @elinas.arte

Youtube: @elinas_art

Mais informações: 71 99133-4101 

elinascomunicacao@gmail.com 

Mainha Mana Elinas 

Mainha 

Mainha mana, mainha mana 

Rainha Saluba Nanã 

Saluba Nanã 

De dia 

chego de manha cheio de manhã 

Bahia, 

a Bahia é lama, 

que Mainha emana. 

Cada mistério em seu quintal, 

de tanta gente que vem e vai 

Os pés descalços, no chão onde batem cabeças e trens. 

Mainha 

Mainha mana, mainha mana 

Rainha 

Kalunga mama 

Kalunga mama 

De dia cheio de manhã, chego de manha Ferido de tanto apanhar 

Da vida, mama

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