Depois de ser premiado no Festival de Cannes e terminar em 5º lugar na lista da Cahiers du Cinéma de melhores filmes do ano passado, O RISO E A FACA ganha data para chegar aos cinemas brasileiros: 30 de abril. O novo longa-metragem do português Pedro Pinho foi produzido pela Bubbles Project, de Tatiana Leite, e será distribuído pela Vitrine Filmes. Coprodução entre Portugal, Brasil, França e Romênia, com diversos profissionais brasileiros na equipe, o filme lança um olhar sobre a complexa relação entre Europa e África, marcada por invasões territoriais e dominação econômica. Pinho mostra que, hoje, essa história ganhou gestos, tons e formatos diferentes.
O longa é inspirado na letra da música de mesmo título composta pelo baiano Tom Zé. Na trama, acompanhamos Sergio, engenheiro português enviado por uma ONG a uma metrópole na África Equatorial. Sua missão é fazer um estudo sobre o impacto ambiental da construção de uma estrada. Lá, ele se envolve com dois moradores locais, Diára e Gui. O trio é vivido por Sérgio Coragem, conhecido por filmes como Verão Danado e Fogo-Fátuo; Cleo Diára, que venceu o prêmio de Melhor Atriz na mostra Un Certain Regard, em Cannes, por este trabalho, e Jonathan Guilherme, brasileiro que estreia no cinema.
Pinho diz que o filme parte "da ideia central da relação entre o poder e os corpos dos 'outros'" e afirma que o longa "mergulha no calor sufocante, nos escritórios climatizados das ONGs, nos jipes brancos, nas ruas empoeiradas, nas buzinas dos carros e nas festas glamourosas — todos, símbolos da presença da comunidade expatriada num cenário de capitalismo pós-colonial". Segundo ele, "no coração do filme está o eterno 'encontro' entre a Europa e África, em contraste com uma batalha furtiva por um devir queer, que se desenha nas discotecas e nas ruas de uma cidade da África Ocidental".
A distribuição no Brasil é feita com a parceria da RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro.

SINOPSE
Sérgio, um engenheiro português, chega à Guiné-Bissau para trabalhar na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se em uma relação íntima e desequilibrada com Diára e Gui. Em meio às dinâmicas neocoloniais dos expatriados, esse laço torna-se seu último refúgio contra a solidão e a barbárie.

O DIRETOR
Pedro Pinho nasceu em Lisboa e viveu em Paris, Barcelona, Maputo (Moçambique) e Mindelo (Cabo Verde). Em 2009, fundou, com outros cinco cineastas, a produtora Terratreme. O seu primeiro documentário, Bab Sebta (co-realizado com Frederico Lobo), estreou no FIDMarseille em 2008, onde ganhou o Prêmio Espérance de Marselha.
O média-metragem de ficção Um Fim do Mundo participou da seção Generation, da Berlinale, em 2013. Em 2014, o documentário As Cidades e as Trocas (co-realizado com Luísa Homem) estreou no FIDMarseille e no Art of the Real no Lincoln Center, em Nova York. Em 2017, sua estreia em longas-metragens de ficção, A Fábrica de Nada, estreou na Quinzena de Cineastas de Cannes, onde ganhou o Prêmio FIPRESCI da Crítica Internacional e recebeu outros 20 prêmios em festivais em todo o mundo. O filme recebeu ainda dois Prêmios Sophia, o Oscar do cinema português, e foi lançado comercialmente em países da Europa, Ásia e América Latina, entre eles o Brasil.
Em 2025, O RISO E A FACA, seu segundo longa de ficção, estreou na mostra Un Certain Regard da Seleção Oficial do Festival de Cannes, de onde saiu com o prêmio de Melhor Atriz para Cleo Diára.