Offline
Filme que desvenda o neocolonialismo europeu na África, 'O RISO E A FACA', novo longa de Pedro Pinho, chega aos cinemas brasileiros em 30 de abril
Eleito um dos dez filmes do ano pela celebrada Cahiers du Cinéma, coprodução brasileira estreou na mostra Un Certain Regard, em Cannes, de onde Cleo Diára saiu com o prêmio de Melhor Atriz
Publicado em 06/04/2026 11:22
CINEMA
O longa é inspirado na letra da música de mesmo título composta pelo baiano Tom Zé. - Foto: Divulgação

Depois de ser premiado no Festival de Cannes e terminar em 5º lugar na lista da Cahiers du Cinéma de melhores filmes do ano passado, O RISO E A FACA ganha data para chegar aos cinemas brasileiros: 30 de abril. O novo longa-metragem do português Pedro Pinho foi produzido pela Bubbles Project, de Tatiana Leite, e será distribuído pela Vitrine Filmes. Coprodução entre Portugal, Brasil, França e Romênia, com diversos profissionais brasileiros na equipe, o filme lança um olhar sobre a complexa relação entre Europa e África, marcada por invasões territoriais e dominação econômica. Pinho mostra que, hoje, essa história ganhou gestos, tons e formatos diferentes.

O longa é inspirado na letra da música de mesmo título composta pelo baiano Tom Zé. Na trama, acompanhamos Sergio, engenheiro português enviado por uma ONG a uma metrópole na África Equatorial. Sua missão é fazer um estudo sobre o impacto ambiental da construção de uma estrada. Lá, ele se envolve com dois moradores locais, Diára e Gui. O trio é vivido por Sérgio Coragem, conhecido por filmes como Verão Danado e Fogo-Fátuo; Cleo Diára, que venceu o prêmio de Melhor Atriz na mostra Un Certain Regard, em Cannes, por este trabalho, e Jonathan Guilherme, brasileiro que estreia no cinema.

Pinho diz que o filme parte "da ideia central da relação entre o poder e os corpos dos 'outros'" e afirma que o longa "mergulha no calor sufocante, nos escritórios climatizados das ONGs, nos jipes brancos, nas ruas empoeiradas, nas buzinas dos carros e nas festas glamourosas — todos, símbolos da presença da comunidade expatriada num cenário de capitalismo pós-colonial". Segundo ele, "no coração do filme está o eterno 'encontro' entre a Europa e África, em contraste com uma batalha furtiva por um devir queer, que se desenha nas discotecas e nas ruas de uma cidade da África Ocidental".

A distribuição no Brasil é feita com a parceria da RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro.

SINOPSE

Sérgio, um engenheiro português, chega à Guiné-Bissau para trabalhar na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se em uma relação íntima e desequilibrada com Diára e Gui. Em meio às dinâmicas neocoloniais dos expatriados, esse laço torna-se seu último refúgio contra a solidão e a barbárie.

O DIRETOR

Pedro Pinho nasceu em Lisboa e viveu em Paris, Barcelona, Maputo (Moçambique) e Mindelo (Cabo Verde). Em 2009, fundou, com outros cinco cineastas, a produtora Terratreme. O seu primeiro documentário, Bab Sebta (co-realizado com Frederico Lobo), estreou no FIDMarseille em 2008, onde ganhou o Prêmio Espérance de Marselha.

O média-metragem de ficção Um Fim do Mundo participou da seção Generation, da Berlinale, em 2013. Em 2014, o documentário As Cidades e as Trocas (co-realizado com Luísa Homem) estreou no FIDMarseille e no Art of the Real no Lincoln Center, em Nova York. Em 2017, sua estreia em longas-metragens de ficção, A Fábrica de Nada, estreou na Quinzena de Cineastas de Cannes, onde ganhou o Prêmio FIPRESCI da Crítica Internacional e recebeu outros 20 prêmios em festivais em todo o mundo. O filme recebeu ainda dois Prêmios Sophia, o Oscar do cinema português, e foi lançado comercialmente em países da Europa, Ásia e América Latina, entre eles o Brasil.

Em 2025, O RISO E A FACA, seu segundo longa de ficção, estreou na mostra Un Certain Regard da Seleção Oficial do Festival de Cannes, de onde saiu com o prêmio de Melhor Atriz para Cleo Diára.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!