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Totalmente filmado dentro de uma escola pública de São Paulo, novo documentário de Alice Riff é selecionado para é TUDO VERDADE 2026
'SAGRADO' retrata a rotina e os desafios de professores e funcionários de uma escola pública no ABCD paulista
Publicado em 27/03/2026 11:05
CINEMA
O documentário acompanha o cotidiano de professores e funcionários da instituição. - Foto: Divulgação

SAGRADO, novo longa-metragem da cineasta Alice Riff, terá sua estreia mundial na Competição Oficial da 31ª edição do É Tudo Verdade, o maior festival de documentários da América do Sul, em abril. Totalmente filmado dentro de uma escola pública em Diadema, na região do Grande ABC paulista, o filme é produzido pela Studio Riff, com coprodução da produtora Estúdio Giz, e será distribuído nos cinemas brasileiros pela Embaúba Filmes.

O documentário acompanha o cotidiano de professores e funcionários da instituição, observando de perto suas rotinas, desafios e relações dentro do ambiente escolar. A diretora passa um longo período filmando o mesmo espaço, suas dinâmicas, reuniões, conversas formais e informais. Quanto mais se aproxima – e persiste em compreender esse microcosmo – surgem mais questões que extrapolam aquela escola e ajudam a radiografar a comunidade que a cerca.

"Sem sair desse espaço e sem filmar as crianças, construo o 'fora de campo': o espectador imagina quem são esses alunos, essas famílias, o bairro em que estamos inseridos. O filme trabalha em um jogo entre o que se vê e o que não se vê. A intenção era olhar para o universo da escola e da educação pelo ponto de vista de quem está no chão da escola", explica a diretora. Com SAGRADO, Alice Riff volta ao ambiente em que rodou seu filme anterior, Eleições, onde acompanha a eleição de um grêmio estudantil pelo ponto de vista dos alunos. No novo filme, a diretora repete o gesto, mas sob a perspectiva de quem faz o espaço funcionar: professores e funcionários.

Premiada por seus trabalhos anteriores, como Meu Corpo é Político, a cineasta afirma que sua intenção não era ter um personagem principal nem se aprofundar na vida desses personagens, mas criar um retrato de um espaço em que eles são as peças fundamentais: "Sabemos pouco sobre eles. Só sabemos deles a partir do que eles falam deles nos espaços e situações de trabalho. Mas imaginamos. O filme é sobre uma escola, e como esse grupo 'esculpe' essa instituição. Para mim, SAGRADO é um filme sobre o cuidado".

SINOPSE

SAGRADO acompanha a rotina de professores e funcionários de uma escola pública em Diadema, São Paulo. A partir de situações do cotidiano, personagens são revelados, assim como uma história de luta e resistência popular. Sem sair da escola, o documentário constrói um retrato sensível sobre o território, seus dilemas e desafios.

A DIRETORA

Alice Riff (São Paulo, 1984) é diretora, roteirista e produtora dos longa-metragens documentais Eleições (2018), Meu Corpo é Político (2017) e Platamama (2018). Seus filmes passaram por importantes festivais nacionais e internacionais como Visions du Réel, Dok Leipzig, Festival do Rio, BAFICI, Festival del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana e Festival de Brasília.

Meu Corpo é Político recebeu o prêmio de Melhor Filme Brasileiro no Olhar de Cinema de Curitiba e Melhor Filme no Lovers – LGBT Torino Film Festival.

FILMOGRAFIA

Orquestra Invisível Let's Dance (curta, 2016) | Kinoforum – Prêmio Aquisição TV Cultura

Meu Corpo é Político (longa, 2017) | Visions du Réel; Melhor Filme no Olhar de Cinema

Eleições (longa, 2018) | Dok Leipzig; Festival do Rio

Platamama (longa, 2018) | Mostra de Tiradentes

CARTA DE INTENÇÕES DE ALICE RIFF

SAGRADO dá continuidade à pesquisa em linguagem documental que venho desenvolvendo em meus filmes anteriores. Trata-se de um trabalho centrado nas pessoas e nas interações entre elas, mediadas pela câmera e por uma proposta de filmar o cotidiano e, pela insistência nele, ir encontrando outros significados.

O filme também se aprofunda no universo da educação — tema com o qual venho trabalhando há alguns anos e que considero central para refletirmos sobre a sociedade contemporânea.

Minha abordagem visual se aproxima do cinema observacional. Interesso-me pela economia dos espaços e pela escolha de permanecer em uma mesma instituição por um longo período, sem sair dela e, na permanência, ir encontrando personagens, conflitos e sentidos. A partir das situações captadas, busco construir uma narrativa que revele não apenas o funcionamento interno da escola retratada, mas também as vidas que a habitam, as questões que estão em jogo e o território ao qual ela pertence.

Há, nesse processo, um jogo constante entre o que se mostra e o que permanece fora do quadro.

Este filme retoma uma inquietação que atravessa toda a minha trajetória: pensar o fazer documental como um espaço de reflexão, escuta e presença.

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