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Selecionado para o É TUDO VERDADE, 'CARCEREIRAS' retrata a vida e os dilemas de mulheres que escolheram uma das profissões mais perigosas do mundo
Dirigido por Julia Hannud, documentário acompanha Ana Paula e Mariana que, entre a saudade da família e a busca por um futuro melhor, ganham a vida como agentes penitenciárias
Publicado em 25/03/2026 15:11
CINEMA
Filme vira a câmera para o outro lado e traça um retrato íntimo de quem aceitou o risco de uma das profissões mais perigosas do mundo. - Foto: Divulgação

Num país marcado por profundas desigualdades como o Brasil, milhares de mulheres vivem hoje privadas de liberdade. Dados recentes apontam que cerca de 42 mil delas ocupam celas em unidades do sistema penitenciário nacional. Mas estas não são as únicas que passam dias e noites dentro dos presídios, como mostra o documentário CARCEREIRAS, selecionado para o É Tudo Verdade.

Dirigido por Julia Hannud, que há anos pesquisa o microcosmo prisional feminino, o filme vira a câmera para o outro lado e traça um retrato íntimo de quem aceitou o risco de uma das profissões mais perigosas do mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT): as agentes penitenciárias. Produzido pela UMA Filmes, com distribuição da Descoloniza Filmes, o documentário acompanha Ana Paula, 42 anos, e Mariana, 25, mulheres com histórias, sonhos e ambições distintas, que trabalham em unidades prisionais no Estado de São Paulo.

Seus caminhos nunca se cruzam, mas suas trajetórias se aproximam em paralelos reveladores: ambas almejam transferências, mas por motivos e para destinos diferentes, enquanto convivem com a distância familiar.. De um lado, o rigor da disciplina imposta pelo uniforme; do outro, a necessidade indispensável para amparar outras mulheres.

Entre muros altos e grades de ferro, em um ambiente marcado pela insegurança e pela solidão, CARCEREIRAS investiga o que acontece nos corredores frios das penitenciárias femininas na busca por responder a uma pergunta central: afinal, quem cuida de quem cuida?

O filme terá sua estreia mundial no É Tudo Verdade, o maior festival de documentários da América do Sul, que acontece entre os dias 9 e 19 de abril.

SINOPSE

Ana Paula (42) e Mariana (25) trilham caminhos paralelos como agentes penitenciárias, distantes de suas raízes e laços afetivos. Enquanto Mariana sonha com uma transferência que impulsionará sua carreira e vida adulta, Ana Paula almeja o retorno a São Paulo e a vida na metrópole. Os dias exaustivos dentro das unidades prisionais tornam as decisões cada vez mais difíceis pela busca por um futuro. Em época de Natal, as emoções se acentuam, tanto por um sonho de liberdade das presas, como por um desejo de pertencimento das servidoras. Afinal, quando tudo parece estar perdido, em quem elas podem confiar?

A DIRETORA

Julia Hannud é diretora de documentários autorais e fundadora da UMA FILMES, produtora independente sediada em São Paulo, dedicada a obras de caráter experimental e documental. Dirigiu o curta-metragem Amor, Só de Mãe (2018), selecionado para a shortlist do Student BAFTA 2019, e o longa Saudade Mundão (2020), que estreou no FESTin Lisboa e aborda narrativas de mulheres em situação de cárcere no Brasil. O filme está disponível em plataformas digitais como Amazon Prime, Google Play e Apple TV.

Também dirigiu o curta Bacuranao, realizado durante seu mestrado em documentário na EICTV, em Cuba, atualmente em fase de finalização. Seu novo longa documental, Carcereiras, foi selecionado para o Cannes Docs 2025 e agora estreia no É Tudo Verdade, o maior festival de documentários da América do Sul.

Como produtora, esteve em projetos como The Prison Beauty Contest (2018), de Srdjan Sarenac, e Partir (2018), de Sonia Guggisberg, também foi selecionado para o É Tudo Verdade. Participou como diretora de produção das obras de Jorge Bodanzky como,  Ruivaldo o Homem que Salvou a Terra (2021) e  Amazônia, a Nova Minamata? (2023).  Como produtora executiva, desenvolve os longas Ainda há ontem aqui (2025), de Jô Serfaty e Prisão Mulher - Hoje, de Paula Sacchetta.

Entre seus projetos em desenvolvimento está Salvador Sou Eu, que investiga a diáspora síria no Brasil nos anos 1920 a partir da história de seu bisavô. Julia é ex-aluna da escola EICTV, em Cuba e mestra em documentário de de criação pela Universidade Pompeu Fabra, na Espanha.

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