O CCBB Brasília apresenta a estreia nacional do espetáculo Frankenstein de Mary Shelley, no dia 26 de março. A montagem do Grupo Liquidificador celebra os 15 anos do coletivo brasiliense e traz o romance de 1818 para o nosso tempo, atravessado por Inteligência Artificial, tecnologia e debates sobre o que nos torna humanos. A temporada segue até 19 de abril de quinta a domingo sempre às 19h, com entrada a R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada). Os ingressos podem ser retirados pelo site bb.com.br/cultura.
Baseada na obra icônica Frankenstein ou o Prometeu Moderno, da escritora inglesa Mary Shelley, a encenação se afasta das versões consagradas pelo cinema e se aproxima do espírito original da autora. Mais do que "recontar" a história, o espetáculo propõe um encontro entre Shelley e o presente e entre a própria autora e sua Criatura. Em cena, Mary Shelley apresenta ao público os temas do clássico e é confrontada por seu monstro, que revela o coração pulsante dessa obra.
A montagem aposta em cenas não realistas, construídas a partir de uma combinação expressiva de trilha sonora, cenário e iluminação, que transforma o palco em uma espécie de laboratório ficcional. O resultado mistura aventura, palestra, comédia, drama, horror e ficção científica, uma experiência que brinca com as convenções do teatro contemporâneo para surpreender e envolver quem assiste.
A dramaturgia, escrita por Fernando de Carvalho, parte de dois mitos complementares: o da criatura feita de fragmentos de corpos e o de uma jovem autora que, aos 18 anos, inventou um novo gênero literário. Em cena, as atrizes Ana Quintas e Larissa Souza borram as fronteiras entre criadora e criatura, fazendo com que Mary Shelley seja, ao mesmo tempo, autora, personagem e parte do mito que criou.

Grupo Liquidificador estreia no CCBB Frankenstein de Mary Shelley. - Foto: Diego Bresani
Para a diretora do espetáculo, Fernanda Alpino, a montagem também reflete sobre nosso presente tecnológico. "Cada vez mais ouvimos alertas sobre os perigos de transferir para as máquinas, celulares, computadores e inteligências artificiais nossas decisões, pensamentos, vivências e relações. Em 1818, Mary Shelley já alertava para os perigos de um avanço tecnológico que não vem acompanhado de vínculo, ética e responsabilidade. Neste espetáculo trazemos esses conflitos para hoje, interrogando o que estamos nos tornando enquanto sociedade."
A montagem também brinca com a presença de Frankenstein na cultura pop, figura que aparece em filmes, quadrinhos, festas de Halloween e até em revistas como a Turma da Mônica. "A figura do Frankenstein está em todo lugar, mas poucas pessoas conhecem de fato Mary Shelley. Queremos apresentar essa autora tão fascinante quanto sua criatura, uma mulher visionária, que revolucionou a literatura e segue extremamente atual", destaca Fernanda Alpino.
Residência Artística gratuita: Monstros Generativos
Paralelamente às apresentações, o Grupo Liquidificador oferecerá a Residência Artística Monstros Generativos, conduzida por Fernanda Alpino e Fernando de Carvalho, com participação da equipe do grupo. A atividade é gratuita e voltada para 10 artistas interessados em criação cênica contemporânea. Os encontros vão acontecer no Espaço Cultural Renato Russo 508/Sul de 30 de março a 8 de abril.
A partir dos processos de pesquisa do espetáculo, a oficina propõe investigar temas como criação, Inteligência Artificial, identidade e ética na relação entre criador e criatura. Ao longo de seis encontros de quatro horas, os participantes desenvolverão cenas, ações e figuras "monstruosas", culminando em uma apresentação pública dos resultados.
Sinopse
Mary Shelley viaja no tempo com a missão urgente de combater uma seita, O Prometheísmo - A Tal Jogada de Marketing. A Inteligência Artificial. Para isso ela vai apresentar ao público seu projeto Frankenstein e dar vida a sua criatura mais famosa. O encontro com a Criatura revela dilemas carregados através dos tempos e das adaptações, e a criadora precisa assumir sua responsabilidade e assim refletir a sua própria natureza. Confrontada com a noção de Inteligência Artificial, a Criatura se defende. Ela, sim, tem carne, osso, memória, sente solidão e amor. Ela é artificial, inteligente e viva.