Vencedora do Prêmio Grande Otelo pelo roteiro de Pacarrete, do qual foi corroteirista, Natália Maia faz sua estreia na direção de longas-metragens com o thriller político A ESTRANHA FAMILIAR que, nas palavras da diretora, "parte do desejo de falar sobre as relações de poder e de justiça no Brasil". O longa, cujas filmagens foram finalizadas em fevereiro, narra a história de Lavínia, uma mulher que retorna à sua cidade natal, no interior do Ceará, para assumir o cargo de primeira juíza do lugar. Lá, ela se vê no centro de um conflito entre sua irmã, uma radialista que desafia poderosos, e a família da prefeita, com quem tem uma dívida de gratidão.
Natália explica que o roteiro, escrito em parceria com Camila Chaves, investiga esse jogo de poder no interior do Brasil por uma perspectiva feminina, dialogando também com códigos do suspense e do faroeste. As três personagens centrais são mulheres: Georgina Castro — revelada em O Céu de Suely e atriz do inédito Feito Pipa, que estreia na próxima Berlinale — vive a juíza Lavínia. Geane Albuquerque, vista recentemente em O Agente Secreto, interpreta sua irmã, a radialista Lina, enquanto Loreta Dialla, de Resumo da Ópera, ficou com o papel da prefeita Suelen.
Outros nomes importantes do audiovisual nordestino e brasileiro compõem o elenco de A ESTRANHA FAMILIAR: Fátima Macêdo tem um dos papéis principais no premiado Manas; Nataly Rocha protagonizou Motel Destino, destaque em Cannes; Dipas participou de Greice; Ana Luiza Rios, de Mais Pesado é O Céu, Psica e o curta Ponto Cego, exibido na Quinzena dos Realizadores; David Santos, de Psica, Serra das Almas e Salve Geral: Irmandade, Demick Lopes, de A filha do palhaço, Redemoinho, Onde nascem os fortes, além de Robério Diógenes e Buda Lira que também estão no elenco de O Agente Secreto, que concorre a quatro Oscars, inclusive o de casting.
TRAJETÓRIA
A ESTRANHA FAMILIAR é o primeiro longa-metragem da produtora independente cearense Bordo Filmes, fundada por Natália Maia e Samuel Brasileiro. O projeto teve uma trajetória consistente de desenvolvimento e reconhecimento antes de chegar ao set. Deu seus primeiros passos no Laboratório de Cinema da Escola Porto Iracema das Artes, em 2018, onde permaneceu em desenvolvimento por sete meses e foi vencedor dos prêmios de Melhor Pitching, concedidos tanto pelo júri oficial quanto pelo júri popular. Durante o laboratório, o projeto recebeu tutorias de Karim Aïnouz, Sérgio Machado, Marcelo Gomes e Nina Kopko, além de consultorias de Luciana Vieira e Pablo Arellano.

Georgina Castro — revelada em O Céu de Suely e atriz do inédito Feito Pipa, que estreia na próxima Berlinale — vive a juíza Lavínia. Foto: Jamille Queiroz
Na sequência, o roteiro foi contemplado pelo edital Aldir Blanc da Secretaria de Cultura do Ceará, com consultoria de roteiro de Nina Kopko e produção de desenvolvimento de Luciana Vieira. O projeto foi ainda semifinalista do Prêmio Cabíria 2021, venceu o prêmio Encuentros BioBioCine no 12º Brasil CineMundi (2021) e foi selecionado para o Workshop Produire au Sud Recife (2022), parceria entre o Festival des 3 Continents, o Projeto Paradiso e a Embaixada da França no Brasil. Mais recentemente, integrou as mentorias do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM), com acompanhamento de Vânia Lima e Viviane Santos. A produção do filme foi viabilizada por meio edital Ruth de Souza de Audiovisual, chamada do Ministério da Cultura para diretoras estreantes, no qual foram selecionados 18 projetos, entre 187 inscritos.
SINOPSE
Lavínia retorna à sua cidade natal, Nova Itaité, no interior do Ceará, para ocupar o cargo de primeira juíza do local. No entanto, ela se vê no meio de um conflito entre sua irmã, a controversa radialista da cidade, e a família da prefeita, com quem tem uma dívida de gratidão. Após receber uma denúncia sobre as obras do açude que será inaugurado ali, ela adentra uma perigosa jornada em que questionará a imparcialidade de suas decisões.
A DIRETORA
Natália Maia é diretora, roteirista e consultora de roteiro cearense. É uma das roteiristas do longa-metragem Pacarrete (2019). Escreveu o roteiro de A Estranha Familiar, selecionado para o edital Ruth de Souza (2024), projeto desenvolvido no Laboratório Porto Iracema das Artes (2018), semifinalista do Prêmio Cabíria 2021, vencedor do prêmio Encuentros Biobiocine do 12º Brasil CineMundi e selecionado para o Workshop Produire au Sud Recife (2022).
É criadora, roteirista e diretora da série infantojuvenil Lana & Carol (2019) e dos curtas-metragens Muxarabi (2021), Rua Dinorá (2022) e Fortaleza Liberta (2025). Também roteirizou o curta Biquíni Paraíso (2015). Em 2022, foi indicada ao Prêmio Abraço (Excelência em Roteiro) da ABRA. Foi roteirista do longa A Adoção, da série educativa Mundo-Imagem e de uma série de ficção do Núcleo Criativo Jovens Contra o Mundo, da produtora Chatrone. É roteirista do longa A Cabeça do Santo, dirigido por Joana Mariani e produzido pela Coração da Selva, e desenvolve atualmente o projeto Correnteza. Natália é professora de Cinema e Audiovisual na Universidade de Fortaleza (Unifor). É consultora do Laboratório de Cinema do Porto Iracema das Artes.

A atriz Gerogina Castro e a diretora Natália Maia. Foto: Pâmila Luik