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FIZ UM FOGUETE IMAGINANDO QUE VOCÊ VINHA ganha cartaz e teaser em sua estreia mundial na 76° edição do Festival de Berlim
Primeiro longa de Janaína Marques é uma jornada interior entre o real e o imaginado
Publicado em 12/02/2026 17:43 • Atualizado 12/02/2026 17:46
CINEMA
Maurício Macêdo: "A Berlinale tem uma importância estratégica porque impulsiona a carreira internacional do longa". - Foto: Divulgação

FIZ UM FOGUETE IMAGINANDO QUE VOCÊ VINHA, primeiro longa-metragem da cineasta Janaína Marques, ganha cartaz e teaser oficiais, na estreia mundial na 76a edição do Festival de Berlim.

Produzido pelas cearenses Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual, o filme se constrói como um road movie do inconsciente, no qual a imaginação surge como ferramenta de sobrevivência e reconciliação. A obra integra a seção Fórum da Berlinale, historicamente associada à liberdade estética e à experimentação formal, e será exibida no dia 15 de fevereiro, no Delphi Filmpalast, em Berlim.

Para o produtor cearense Maurício Macêdo, a Berlinale tem uma importância estratégica porque impulsiona a carreira internacional do longa e antecede um lançamento comercial já confirmado no Brasil, previsto para setembro de 2026, com patrocínio do BNDES.

Confira o teaser: 

 

FIZ UM FOGUETE IMAGINANDO QUE VOCÊ VINHA se desenvolve como um retrato íntimo de uma mulher convocada a revisitar sua própria história quando já não consegue se reconhecer nela. Diante da dificuldade de acessar uma memória feliz, a protagonista Rosa (vivida por Verônica Cavalcanti) mergulha numa busca interior que se torna a própria narrativa do longa. Entre o real e o imaginado, a realidade começa a ceder espaço ao sonho, ao delírio e à memória, uma jornada íntima em que Rosa reencontra a mãe (interpretada por Luciana Souza) e a transforma em parceira de estrada.

Para Marques, nascida em Brasília, mas criada no Ceará, essa jornada é, antes de tudo, um gesto de sobrevivência. Incapaz de acessar lembranças felizes, Rosa cria seus próprios caminhos, e a viagem com a mãe ganha um caráter sensorial, íntimo e restaurador.

De acordo com a diretora, contar a história a partir do ponto de vista que não é apenas o da Rosa, mas o da própria mente dela, e da forma como essa mente se organiza, pareceu mais original e, sobretudo, mais desafiador. "Todos nós temos uma mente e sabemos como ela funciona: o fluxo de pensamentos, a confusão temporal, as associações inesperadas, lembranças esquecidas. Essa experiência é universal, porque todos lidamos com memória, imaginação e afeto" .

LOCAÇÕES

O longa tem Quixadá-CE como cenário principal da maior parte das cenas. Tal escolha veio de uma combinação de vínculos afetivos, condições produtivas e potencial cinematográfico da região. Assim como a atriz Verônica Cavalcanti, o produtor Maurício Macêdo nasceu na cidade e conhece bem a geografia do lugar. Além de manter uma rede de contatos locais, ele afirma que a familiaridade da população com produções audiovisuais foi fundamental para a escolha. O impacto estético das paisagens foi decisivo. As formações rochosas e os monólitos da região, frequentemente descritos como paisagens que "parecem a Lua", reforçaram o desejo de filmar ali. A decisão se consolidou quando a equipe teve acesso às primeiras imagens de referência: a resposta foi imediata: era o lugar perfeito para uma viagem que escapa de uma geografia convencional.

Marques conta que Quixadá foi essencial para a construção do universo onírico do filme. "Os monólitos, o sertão árido, os açudes gigantescos, as grutas que carregam esse mistério... tudo ali já traz uma dimensão quase mítica. As estradas, o hotel isolado no meio do deserto, os vazios foram fundamentais para a construção desse universo". Mas o filme também se expande para outros territórios: as dunas da Sabiaguaba, em Fortaleza, e no topo da Serra de Maranguape, cercado pelo verde intenso. "Essa diversidade e potência de paisagens foram decisivas. São elementos-chave para acompanhar o percurso mental da Rosa e as emoções que vão sendo ativadas ao longo da jornada", comenta a diretora.

FIZ UM FOGUETE IMAGINANDO QUE VOCÊ VINHA é uma produção da Moçambique Audiovisual e da Delírio Filmes, com patrocínio do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, com recursos da Lei Aldir Blanc, e do BNDES. O filme conta com o apoio do Instituto Mirante de Arte e Cultura, do Instituto Dragão do Mar, do Projeto Paradiso, do Show Me The Fund, da Embaixada do Brasil em Berlim e do Instituto Guimarães Rosa. As vendas internacionais são realizadas pela Patra Spanou Film, e a distribuição nacional é da Moçambique Audiovisual. 

Horários das sessões no Festival de Berlim

Dia 15, às 21h30 - Delphi Filmpalast

Dia 16, às 13h00 - Bluemax Theater

Dia 19, às 14h00 - Cubix 8

Dia 22, às 19h00 - Cubix 8 

SINOPSE

No zumbido silencioso de uma ressonância magnética, Rosa (50) é orientada a evocar uma lembrança feliz. Em uma viagem pelo seu subconsciente, ela revisita o passado e reconstrói um episódio que nunca viveu: uma travessia com sua mãe, Dalva, mulher livre e irreverente que chegou a ser presa por matar um homem prestes a cometer um feminicídio. Crescida na ausência da mãe, Rosa carrega culpa e medo dessa história. Agora, suspensa entre a vida e uma memória inventada, ela imagina um reencontro que se transforma em tentativa de cura e reconciliação.

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