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Metáfora de uma Venezuela distópica, 'ZAFARI' terá Première SPCINE com debate Folha de SP
Dirigido pela cineasta Mariana Rondón (" Pelo Malo") e com coprodução brasileira da Klaxon Cultura Audiovisual, o longa tem distribuição da Vitrine Filmes
Publicado em 02/02/2026 19:06
CINEMA
No filme, o personagem que atravessa a crise do país com mais conforto é o hipopótamo que batiza a obra. - Foto: Divulgação

ZAFARI, sexto longa-metragem da venezuelana Mariana Rondón, ganha uma première SPCINE com debate Folha de SP no dia 04 de fevereiro, às 19h40, no Espaço Petrobras de Cinema (Rua Augusta, 1475), com entrada gratuita. Após a exibição do filme, participam do debate: Sylvia Colombo, historiadora e jornalista especializada em América Latina e María Elena Morán, escritora e roteirista venezuelana-brasileira. A mediação fica a cargo da repórter Daniela Arcanjo (editoria de mundo) da Folha de SP.

Dona de uma obra sempre atravessada pelas crises sociais e econômicas que atingem seu país, Rondón imagina uma sociedade distópica, onde a população enfrenta a ausência das regras sociais, a falta de trabalho e, sobretudo, de comida; um mundo no qual a fome pode transformar humanos em selvagens. Misturando elementos de suspense e de terror, a narrativa pode ser vista como a metáfora de uma Venezuela fraturada.

No filme, o personagem que atravessa a crise do país com mais conforto é o hipopótamo que batiza a obra. Ele, que acaba de chegar ao zoológico da cidade, é quem come mais e melhor. Sua rotina alimentar e seu corpo arredondado despertam sentimentos inesperados em quem encara privações, especialmente os membros de duas famílias: uma rica, que perdeu seus privilégios, e outra pobre, que decide que não precisa mais se sujeitar a regras sociais. Rondón explica que decidiu contar o filme como uma fábula distópica. "Para nós era realmente importante realizar esse filme e apresentar ao espectador a pergunta: até onde seríamos capazes de chegar se isso acontecesse com a gente? Conseguiríamos permanecer estáveis? Conseguiríamos ter um sistema ético? Ou simplesmente viveríamos em um mundo selvagem sem trégua?".

Confira o trailer:

Para Marité Ugás, corroteirista do filme, o encontro da ironia com o cinema de gênero ajuda a tocar nos temas que são caros à dupla de cineastas: "Todos os elementos apontavam para a necessidade de dar um passo em direção ao suspense e também um pouco ao terror. Mostrar a sensação física da fome nos pareceu importante para contar a história", explica.

A trajetória de ZAFARI começou na seção Horizontes Latinos do Festival de San Sebastián, onde o filme teve sua première. O longa circulou por festivais na Alemanha, Grécia, Índia e Brasil, com sua primeira exibição nacional na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Povoado por um elenco que reúne profissionais e amadores, ZAFARI é uma co-produção entre Brasil, Venezuela, Peru, México, França, Chile e República Dominicana e será lançado nos cinemas brasileiros pela Vitrine Filmes, no dia 5 de fevereiro.

SINOPSE

Num pequeno zoológico em Caracas, a chegada do hipopótamo Zafari é comemorada por vizinhos de diferentes classes sociais. Uma família acompanha as comemorações da janela de seu apartamento em um condomínio decadente de classe alta. Em meio ao caos gerado pela escassez de alimentos, água e energia elétrica, a família precisa resolver problemas cotidianos enquanto tenta encontrar uma solução para deixar o país. A mãe, Ana, percorre o prédio à procura de comida nos apartamentos abandonados, mas ruídos estranhos pelos corredores escuros a amedrontam cada vez mais. Num mundo cada vez mais selvagem, Zafari é o único que ainda tem o que comer.

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