Ansiedade, estresse, esgotamento emocional, dificuldades de concentração e alterações de humor fazem parte da realidade de milhões de brasileiros. Ainda assim, a saúde mental segue sendo negligenciada, muitas vezes tratada apenas quando o sofrimento já compromete a qualidade de vida. O Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre o cuidado emocional, surge como um convite à reflexão: como está a nossa saúde mental?
Para a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan, falar sobre saúde mental é falar sobre prevenção, autocuidado e responsabilidade individual e coletiva. “A saúde mental impacta diretamente nossas relações, produtividade, decisões e até a saúde física. Quando negligenciada, o corpo acaba sendo o porta-voz do sofrimento emocional”, explica.
Segundo a especialista, ainda existe a ideia equivocada de que buscar ajuda psicológica é sinal de fraqueza ou que só é necessário em momentos extremos. “Cuidar da mente não significa esperar um colapso emocional. Significa observar sinais como irritabilidade constante, cansaço excessivo, dificuldade de dormir, lapsos de memória e perda de interesse pela vida cotidiana”, alerta Thaís.
Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que transtornos como ansiedade e depressão estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no mundo. Para Thaís Barbisan, esse cenário reforça a urgência de ampliar o debate e normalizar o cuidado psicológico. “Assim como fazemos exames de rotina para o corpo, precisamos olhar para a saúde emocional com a mesma seriedade. A psicoterapia e a avaliação neuropsicológica são ferramentas fundamentais para promover equilíbrio, autoconhecimento e qualidade de vida”, afirma.
O Janeiro Branco também destaca a importância de ambientes mais saudáveis, seja no trabalho, na família ou na escola. “Não estamos falando apenas de um cuidado individual, mas de uma construção coletiva. Relações tóxicas, excesso de cobrança e falta de espaços de escuta adoecem. Promover saúde mental é promover humanidade”, pontua.
Para a especialista, o maior legado do Janeiro Branco é o convite à continuidade. “Que janeiro seja o início de uma mudança de postura. Cuidar da saúde mental precisa deixar de ser exceção e se tornar parte da vida, todos os meses do ano”, conclui Thaís.